Reblogged – Homeschooling: dois contra-argumentos e um grave alerta

Por CAMILA HOCHMÜLLER ABADIE | 24 AGOSTO 2013 em Mídia Sem Máscara

Camila Hochmüller Abadie refuta duas objeções comuns à escolarização em casa (homeschoolling) e alerta aos pais sobre os riscos da nova “importação de professores” planejada pelo governo do PT: “não entreguem suas crianças a estes que, apesar de não destruírem literalmente com as vidas de nossos pequenos, podem e querem deformar-lhes a alma por completo”.

I

Um dos argumentos mais frequentemente defendidos por professores, psicólogos, pais e familiares contrários ao homeschooling não diz respeito à qualidade de ensino, mas ao “fato” de que as crianças precisam se socializar, precisam conviver com outras crianças, precisam aprender a se relacionar, a lidar com as diferenças, etc. E quanto mais as famílias encolhem, restringindo a prole a uma única criança, mais parece fazer sentido um tal argumento. No entanto, algumas coisas me fazem duvidar da boa-intenção por trás da socialização.

É importante ter amigos, é importante conviver com outras crianças, todavia a infância não é um fim em si mesmo. É, eu sei, os românticos de plantão acabam de desmaiar, mas a verdade é que, tão necessário quanto brincar é o aprender a ter responsabilidades. Passa-se a maior parte da vida na idade adulta e é para ela que a criança deve ser preparada. Mas como dar-se-á uma tal preparação se a criança convive majoritariamente com iguais, com outras crianças, e não com pessoas de diferentes faixas etárias? Quem dentre elas apontará o caminho para aquilo que devem vir a ser, se, ao redor de si, há apenas quem reforçe, seja por meio da diversão ou por meio da disputa e da inveja, aquilo que já se é? Repito, brincar é necessário, é bom, é saudável, mas não é tudo. A ênfase excessiva nos direitos gera adultos que não sabem lidar com deveres, como vemos cada vez mais todos os dias.

Além disso, a ideia de que a criança aprende a se relacionar no contato com outras crianças parece-me um tanto artificial. A criança não nasce de crianças nem entre elas, mas de adultos e entre eles, entre mãe e pai. É na relação com eles e na observação da relação entre eles que a criança aprenderá a relacionar-se. Se vem de um lar violento, a criança muito provavelmente será violenta com os demais. Se vem de um lar amoroso, muito provavelmente será amorosa. Se vem de um lar onde não recebe limites, não saberá conter-se e refrear-se, mas tentará sempre obter tudo o que lhe agrada. Claro, quanto maior for a família, tanto a nuclear quanto a ampla, melhor, pois maior será a diversidade de situações nas quais a criança aprenderá a conviver. No entanto, são a mãe e o pai aqueles que servirão de mestres e de estabelecedores do fundamento emocional para os relacionamentos que virão ao longo da vida, não os professores, colegas e amigos.

Outro argumento comum é aquele que fala sobre a necessária aprendizagem do convívio com os diferentes. Sim, mas pergunto: as pessoas, numa família, são todas iguais? Não possuem, cada uma, o seu temperamento, o seu jeito de lidar com as coisas, suas preferências, seus sonhos? Não é este o ambiente adequado para, debaixo do cuidado e supervisão dos pais, a criança aprender a lidar com as diferenças? Ou aprender a lidar com as diferenças é sinônimo de ser obrigado a permanecer no mesmo ambiente com quem, não raras vezes, é radicalmente diferente? Isso, para mim, assemelha-se mais a um presídio do que uma escola. Afirmar que a criança precisa da escola para se socializar soa-me tão natural quanto afirmar que um bebê necessita de uma cadeira para ser gestado. Socialização é um processo gradual que deve começar na família nuclear, expandir-se para a família ampla, para a igreja, para as famílias dos amigos dos pais e só mais tarde, quando a criança já não for mais criança, mas um jovem com convicções definidas e firmes, para a sociedade.

E já que falei em juventude e em convicções, relembro aqui, mais uma vez (e perdoem-me os leitores assíduos, pois devem estar cansados da constante referência), o Maquiavel Pedagogo. Na obra, o autor explicita a comprovada técnica na qual, quanto mais cedo as crianças forem afastadas do ambiente doméstico, mais suscetíveis tornam-se às mais diversas influências externas. Em outras palavras, crianças (e quanto mais novas forem, melhor) não possuem as capacidades cognitivas suficientemente desenvolvidas para compreender quando estão sendo manipuladas ou forçadas a algo que contraria frontalmente o modo como vive ou aquilo em que sua família acredita, nem possuem estrutura emocional para resistir à força da autoridade dos professores ou da pressão dos colegas. Ou seja, a um governo comprometido com a destruição das famílias e da instauração de um regime totalitário, nada melhor do que crianças que podem ir já aos 6 meses de vida para as creches estatais, ou, na “pior” das hipóteses, que irão obrigatoriamente aos 4 anos para a escola.

Aos pais é que cabe a decisão de quando e como as crianças devem participar de um convívio social mais amplo, não ao Estado. Socialização obrigatória não é socialização. É prisão.

II

Agora minha objeção volta-se contra o atual domínio de uma concepção hedonista na criação e educação de crianças.

Coisa mais fácil do mundo, em nossos dias, é fazer os pais se sentirem culpados quando as crianças são submetidas a alguma atividade tida como não-divertida. E a perda de critérios da bondosa gente que mete o bedelho onde não é chamada (que inclui desde a vizinha até o governo federal) é tamanha que não existem mais nuances: ou a criança está transbordando alegria ou está sofrendo terrível e irremediável opressão e maus-tratos psíquicos. Tudo o que a criança pode e deve fazer precisa obrigatoriamente ser divertido, caso contrário é abuso.
Agora, retomando algo que disse anteriormente, é a infância um fim em si mesma? Ou não seria um tempo especial de transição e preparação para a adultez? Claro, um tempo de maravilhamento, de espontaneidade, de curiosidade e de todas aquelas coisas lindas que são tão mais fáceis e tão mais belas nesses anos de estreia da vida. Mas, mesmo então, respeitando, admirando e cultivando momentos tão preciosos, não se pode perder a perspectiva: a vida, em geral, dura bem mais que estes anos iniciais, e não podemos entregar nossas crianças despreparadas para o que virá depois.

O que quero dizer com tudo isso pode ser resumido como o supra-sumo do politicamente incorreto em matéria de educação de crianças: precisamos trabalhar para que nossas crianças desenvolvam o senso de dever. Refiro-me, especificamente, à inclusão de atividades que se tornem parte da rotina da criança para além dos momentos de estudos e de brincadeiras, atividades estas que a ajudem a desenvolver os sentimentos de participação na família e de responsabilidade consigo e com os demais. Por exemplo: em se tratando de crianças bem pequenas, de dois aninhos, como o meu Benjamin, ensinar-lhe e, depois, solicitar que guarde seus brinquedos, que leve suas fraldinhas (só com xixi) até a lixeira, que recolha as mamadeiras e copos de suco é perfeitamente possível; já em se tratando de crianças maiores, como a minha Chloe, que está com sete anos, ensinar-lhe e cobrar-lhe coisas como arrumar a própria cama, pentear os próprios cabelos, recolher as próprias roupas e levá-las à máquina de lavar e secar a louça são muito tranquilas. Claro, não se deve cobrar algo que não foi suficientemente ensinado e treinado sob supervisão, nem exigir algo que esteja além das capacidades física, motora e psíquica da criança.

Também é essencial deixar sempre muito claro que tais atividades não são uma forma de castigo, mas, antes, uma parte importante da vida da criança e da vida da família; que nem sempre fazemos o que queremos, o que gostamos, o que é mais divertido, mas que precisamos fazer a nossa parte para ajudarmos uns aos outros, senão alguém acabará sobrecarregado; que quanto melhor e mais rapidamente fizermos as nossas tarefas, mais tempo teremos para as outras coisas; que precisamos aprender a fazer todas essas coisas para sermos adultos independentes e seguros, que sabem cuidar de si e de sua futura família muito bem.

A diversão como algo que a criança possa supor como pretensamente onipresente nada mais faz além de produzir uma escalada na busca de mais e mais diversão, custe o que custar, de modo que as singelas alegrias de sua vidinha deixam de ser valorizadas, abrindo cada vez mais espaço para o deserto do aborrecimento e da insatisfação eternos. A diversão como um fim em si mesma torna-se tão vazia e tediosa quanto qualquer outro vício, escravizando seus súditos, os quais sacrificam tudo o mais em seu altar, sempre crentes na promessa de que o passatempo seguinte trará a tão desejada felicidade. Em contraposição, a diversão como o presente há tempos desejado e finalmente merecido, como o evento especial, como a coroa de risadas e brincadeiras depois do trabalho e do esforço, como a conquista planejada, traz saúde à alma, renovo à disposição e ajuda a estabelecer a adequada proporção às coisas da vida. Eis aí a verdadeira “educação para a cidadania”. O resto é conversinha de comunista.

III

Tirem já os seus filhos das escolas!

Acabei de tomar conhecimento, via G1, que o governo federal, além de importar médicos cubanos, já planeja a importação de, adivinhem, professores! Se restava a alguém alguma dúvida do caráter meramente ideológico de tais importações, agora já não há mais motivo para tê-la. Uma vez que todos os postos de controle na nação estão nas mãos dos esquerdopatas, é chegada a hora de disseminá-los em todas as esferas, alcançando, inclusive, nossas crianças, e na idade mais tenra possível.

Sob o pretexto de, mais uma vez, suprir a escassez de profissionais, especialmente nas áreas mais distantes do país, o governo federal pretende “melhorar” a educação pública mediante a colaboração cubana. O que todo mundo já sabe, tanto no caso dos médicos quanto no dos professores, é que não nos falta mão de obra, mas condições de trabalho e remuneração digna aos profissionais; e sobre isso o governo não abre a boca. Antes, prefere importar mão de obra de guerrilheiros e repassar o dinheiro por um tal “trabalho”, adivinhem de novo, ao governo cubano! Sim! Os “médicos” e “professores” virão fazer esse “excelente” trabalho de arregimentação e organização revolucionária e ficarão à mercê, sempre e de novo, de seus ditadores! É o Brasil ajudando Cuba a destruir o Brasil, às custas dos brasileiros e dos cubanos!

Sei que não contamos com materiais didáticos, amparo legal ou simpatia popular, mas não podemos entregar nossas crianças a um governo que não está de modo algum preocupado com educação, mas apenas com a manutenção, propagação e intensificação de sua agenda nociva, mentirosa e destruidora de tudo o que amamos em nome de sua própria perpetuação. Além disso, qualquer trabalho que amorosa e sinceramente desenvolvermos com nossas crianças será melhor para sua educação do que o que o governo pretende fazer – e, em certa medida, já tem feito. Já não somos tão poucas famílias homeschoolers no Brasil, já existe uma associação que defende e trabalha pelos nossos interesses junto ao governo, já existe uma rede de pessoas que trocam informações e que se ajudam mutuamente. E os resultados, adivinhem de novo, são muito melhores que os oferecidos pelas escolas!

Por favor, rezem, pesquisem, escrevam, mas, especialmente, não entreguem suas crianças a estes que, apesar de não destruírem literalmente com as vidas de nossos pequenos, podem e querem deformar-lhes a alma por completo. Não sejamos omissos, irresponsáveis, obedecendo antes aos homens do que a Deus, mas sejamos valentes como os pais de Moisés, como o próprio São José e a Virgem Maria! Eles arriscaram muito mais, sozinhos, e foram abençoados por Deus! Juntos e com a ajuda Dele podemos resistir e, mais que salvarmos os nossos filhos, podemos contribuir decisivamente para o salvamento do futuro do país!

camilaeolavo
Observações:

Dois leitores do meu blog levantaram a objeção de que a matéria do G1 não menciona a importação de professores para as salas de aulas brasileiras. Achei por bem ir atrás de mais indícios que sustentem a minha interpretação de que, apesar de não ser explicita, tal é a intenção do governo. E aqui vão eles:

Primeiro indício: Como disse ainda ontem, nos comentários, o Programa Mais Professores inspira-se no Programa Mais Médicos;

Segundo indício: Além disso, como também já havia dito, o Programa usa explicitamente a palavra “visitantes” em seu nome, mesmo que em sua versão provisória: “Programa Nacional de Professores Visitantes na Educação Básica – Mais Professores”;

Terceiro indício: Assim como o Programa Mais Médicos aparentemente pretendia ser voltado aos profissionais brasileiros, o Programa Mais Professores também o pretende. No entanto, a baixa remuneração oferecida e a falta de respaldo legal fez com que os médicos brasileiros não “suprissem a demanda”, de modo que o governo federal foi “forçado” a abrir-se aos estrangeiros;

Quarto indício: A Venezuela, por exemplo, como boa cobaia que é, vive os efeitos nefastos de um programa ao mesmo estilo, o chamado “Missão Ribas de Alfabetização”, totalmente baseado nas teorias de Paulo Freire, isto é, puro e simples emburrecimento, aliado à doutrinação ideológica esquerdista;

Quinto indício: Como a questão não é melhoria da qualidade de vida dos brasileiros, mas disseminação ostensiva de militantes entre as mais diversas esferas da sociedade civil, o governo já estuda também a importação de engenheiros para cá;

Sexto indício: Quando um esquerdista, refiro-me ao Mercadante, afirma, rindo, que não vai fazer
algo, o que se pode esperar senão exatamente o contrário? Ou alguém aí já esqueceu, por exemplo,
da promessa feita por Dilma de não legalizar o aborto e, no entanto, tão rápido quanto possível,
convidar uma abortista confessa, Eleonora Menicucci, para assumir como ministra da Secretaria
de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, sem contar a recente tentativa de
modificar a lei que trata da matéria? 
Deixo aqui alguns outros links que tratam dos Programas
Mais Médicos e Mais Engenheiros, para que se compreenda melhor a questão e seus
prováveis desdobramentos:

Por último, um breve exercício de imaginação:

Há uma porção de estranhas embalagens distribuídas ao longo de um perímetro. Em seguida, ao aproximar-se, você sente o cheiro de explosivos vindo delas. Algumas embalagens explodem, mas, por sorte, todas longe de você. Perguntas: É realmente necessário que esteja escrito TNT sobre cada embalagem para que você conclua que se tratam de explosivos? Você ficaria aguardando o pior ou advertiria em altos gritos as pessoas ao redor para que saíssem de perto o mais rápido possível?

Camila Hochmüller Abadie é mãe, esposa e mestre em filosofia. Edita o blog Encontrando Alegria.

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