O cristianismo como instrumento de dignificação da mulher

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A ambição do presente artigo é mostrar, através do estudo da historiografia, como o surgimento do cristianismo foi um elemento de dignificação da mulher. Para tanto, realizamos um levantamento de diferentes trabalhos historiográficos que apresentam o tema sob diferentes matrizes teórico-filosóficas. Assim, lemos livros de autores como o de Thomas Woods Jr., que claramente entende o advento do cristianismo como algo positivo para a história da humanidade e, também, lemos trabalhos como o livro organizado pelos historiadores Philippe Ariès e Georges Duby, indubitavelmente hostis aos valores e tradições legados pela Igreja Católica.

Infelizmente, vivemos em uma era onde a verdade está sendo cada vez mais aviltada. Num mundo de grandes facilidades comunicativas, e de trocas frenéticas de informações, é com muita tristeza que vemos a superficialidade intelectual, moral, espiritual, dominando praticamente toda discussão pública sobre temas tão relevantes para a compreensão da nossa história e da nossa cultura. O objeto de nosso artigo é um desses temas que estão continuamente sendo tratado de forma leviana e até mesmo desonesta.

Quem vive em ambientes acadêmicos, por exemplo, sabe muito bem o quanto os valores tradicionais, principalmente aqueles que nos foram transmitidos pela Igreja Católica, são objetos de ironias, deboches e, em alguns casos, ódio aberto. O preconceito contra o religioso é gritante em nossa sociedade. Nos meios universitários, sabemos, o nível de crença e devoção ao sagrado é visto como inversamente proporcional à capacidade crítica e analítica de nossa realidade. Em outras palavras, para a grande parte da nossa intelectualidade, ser inteligente significa ser ateu.

Obviamente que esse tipo de ateísmo militante, que encontramos tão frequentemente na chamada alta cultura, é resultado de uma revolução cultural que vem sendo executada há algumas décadas em nosso país. Dentro dos limites de um artigo como o nosso, não podemos abordar cada uma das “frentes de batalha” nas quais essa revolução cultural atua. Por ora, só podemos dizer que a promoção da mentalidade revolucionária é algo tão bem sucedido em nossa cultura que a grande maioria das pessoas é incapaz de diferenciar o que é pura propaganda ideológica do que é informação, fato, realidade concreta.

É exatamente isso que ocorre com o tema que abordaremos a seguir.  As pessoas estão acostumadas com as mentiras espalhadas pela propaganda revolucionária e já não são mais capazes de reconhecer a verdade. A Revolução foi, e continua sendo, tão bem sucedida, que mesmo uma mentira tão ululante – como a de que a Igreja é uma instituição opressora para as mulheres – passa por verdade.

Para quem tem uma formação intelectual minimamente séria, honesta, sabe que o advento do cristianismo foi um elemento determinante para a vida das mulheres. Isso porque a vinda de Jesus Cristo na Terra se deu em um tempo de grande degradação moral, e a existência da mulher era, especialmente, afetada pela degeneração da sociedade humana. Portanto, muito ao contrário do que o movimento revolucionário propaga (especialmente em sua face feminista), a religião cristã foi um elemento de libertação da mulher. Em uma época em que aborto, infanticídio, prostituição, divórcio, adultério etc., eram práticas recorrentes, o cristianismo veio como um sopro de purificação, como água que lava a imundice e a podridão, restaurando a dignidade da mulher.

O mundo pagão, como sabemos, não era um exemplo de moral e de decência. No contexto do advento do cristianismo, as religiões incentivavam e conduziam as mulheres para as piores depravações. Um exemplo é a “Prostituição Sagrada” que era exercida nos templos babilônicos, assírios, gregos, sírios, e em muitos outros lugares, como nos informou Heródoto.

De acordo com o livro de Baruc, a “Prostituição Sagrada” era a instituição mais indecorosa dos babilônios e se dava da seguinte forma: todas as mulheres habitantes da região deveriam ir a um templo de Afrodite uma vez na vida e ter relações sexuais com um desconhecido. Muitas delas, orgulhosas por causa de sua opulência, consideravam indigno misturar-se com as outras mulheres e iam até as proximidades do templo em carruagens cobertas, em cujo interior permaneciam com numerosos serviçais à sua volta. Em sua maioria, as mulheres agiam da maneira seguinte: ficavam sentadas no recinto de Afrodite com uma coroa de corda na cabeça. Havia uma multidão delas, umas chegando, outras saindo, e eram estendidas cordas em todas as direções no local onde as mulheres ficavam esperando os homens, para que estes pudessem circular e as escolherem. Depois que uma mulher sentava-se naquele lugar, não voltava à sua casa antes de um estranho lhe haver lançado dinheiro nos joelhos e de ter tido relações sexuais. Lançando o dinheiro, o homem dizia as seguintes palavras: “Chamo-te em nome da deusa Milita” (Milita era o nome dado pelos assírios à Afrodite). A importância em dinheiro podia ser qualquer uma, e a mulher nunca recusava, pois ela não tinha esse direito; ela seguia o primeiro homem que lhe jogasse qualquer dinheiro, sem rejeitar nenhum. Depois de ter relações com tal homem ela voltava a casa, pois cumprira suas obrigações sagradas para com a deusa. As mulheres belas e bem proporcionadas não demoravam a voltar para suas casas; as feias, porém, esperavam muito tempo sem poder cumprir a obrigação imposta por essa instituição e algumas ficavam lá durante três ou até quatro anos.

Além da “Prostituição Sagrada”, a poligamia era muito comum em várias culturas antigas e, em alguns locais, existia a poliandria. O incesto (algo que nos choca profundamente hoje em dia) era muito comum na Pérsia e na Grécia. Também na Grécia, o relacionamento sexual entre homem e mulher era considerado inferior ao relacionamento entre homem e menino. Na Roma antiga, a mulher, assim como os escravos, era considerada propriedade do homem. E os moralistas mais sofisticados, das sociedades mais civilizadas do mundo antigo, como a grega e a romana, jamais chegaram perto de reconhecer o direito à vida do feto.

O respeito que nós temos hoje pela vida humana, a dignidade que conferimos a todas as pessoas, indistintamente, não existia no mundo antigo. Foi graças ao advento do cristianismo que a vida humana se tornou sagrada e foi estabelecida a noção de sua inviolabilidade. O historiador Paul Veyne, em capítulo para o livro História da Vida Privada, explica que, na Roma antiga, ser concebido, ou mesmo nascer, não conferia à criança o direito a existência:

O nascimento de um romano não é apenas um fato biológico. Os recém-nascidos só vêm ao mundo, ou melhor, só são recebidos na sociedade em virtude de uma decisão do chefe de família; a contracepção, o aborto, o enjeitamento das crianças de nascimento livre e o infanticídio do filho de uma escrava são, portanto, práticas usuais e perfeitamente legais. (VEYNE, 2009, p.23)

Os que mais sofriam com essa prática nefasta (o enjeitamento dos nascituros) eram as meninas: “No ano I a. C., um heleno escreveu à esposa: ‘Se tiveres um filho, deixa-o viver; se tiveres uma filha, enjeita-a’” (VEYNE, p.23). E não só as meninas eram vítimas desse ato, mas as mães também, pois (como podemos imaginar) a necessidade de enjeitamento imposta por essas sociedades antigas desafiavam o impulso materno de proteção e cuidados para com seus rebentos. Independentemente do contexto histórico, da cultura, dos usos e costumes, a natureza humana é uma só, por isso algumas “vezes o enjeitamento não passava de uma encenação: às escondidas do marido, a mulher confiava o filho a vizinhos ou subordinados, que o criavam secretamente.” (VEYNE, p.24).

Mas não era somente com o medo do iminente enjeitamento de um filho, imposto pelo marido, que a mulher romana convivia. Na Roma antiga, as mulheres estavam constantemente expostas ao risco de serem abandonadas por seus esposos. Antes do advento do cristianismo, e do estabelecimento da sacralidade do matrimônio, o casamento era algo absolutamente efêmero. De tal modo, um romano poderia se divorciar da mulher pelo motivo mais fútil e com a maior facilidade imaginável.

O casamento romano é um ato privado, um fato que nenhum poder público deve sancionar: ninguém passa diante do equivalente a um juiz ou a um padre; é um ato não escrito (…) e até informal: nenhum gesto simbólico, por mais que se diga, era obrigatório. (…) [o divórcio] Do ponto de vista do direito, é tão fácil para a mulher, quanto para o marido, e tão informal quanto a casamento: basta que o marido ou a mulher se afaste com a intenção de se divorciar. Às vezes os juristas hesitavam legitimamente: simples desavença ou verdadeira separação?  Não era sequer estritamente necessário prevenir o ex-cônjuge, e havia em Roma maridos divorciados de sua única esposa sem o saberem. (VEYNE, 2009, p.46).

A mudança radical das relações entre homem e mulher trazidas pelo cristianismo representa um divisor de águas – algo reconhecido mesmo por intelectuais hostis à religião católica, como o caso de Paul Veyne. Segundo este historiador, na velha moral cívica, a moral pagã, “a esposa era apenas um instrumento da função de cidadão e chefe de família; fazia filhos e aumentava o patrimônio”. Já dentro da moral cristã, a mulher é uma amiga; tornou-se “a companheira de toda uma vida.” (VEYNE, p.49). Na moral pagã a esposa era menos uma companheira do que um objeto do homem, “tanto será um objeto que dois senhores poderão repassá-la amigavelmente” (VEYNE, p.50). De acordo com Veyne, na Roma antiga.

O casamento é apenas um dos atos da vida, e a esposa não passa de um dos elementos da casa, que compreende igualmente os filhos, os libertos, os clientes e os escravos. (…) Os senhores, chefes de uma casa, resolvem as coisas entre si, como de poder a poder, e se um deles deve tomar uma grave decisão reúne o “conselho de amigos” em vez de discutir com a mulher. (VEYNE, 2009, p.50).

O historiador Peter Brown, também no livro História da Vida Privada, relatou que a mulher ocupava uma posição social inferior no antigo Império Romano. Era generalizada a noção de que as mulheres eram “criaturinhas” subdesenvolvidas perigosas, que poderiam pôr a perder a honra e dignidade do homem por causa de seus caprichos: “Um homem é um homem porque evolui com eficácia no mundo público. E evolui porque seu feto “cozinhou” no calor do ventre mais completamente que o da mulher” (BROWN, p.234). Por esse motivo, os homens nobres (os notáveis) deveriam ter bastante cuidado com as formas como mantinham relações amorosas com suas mulheres para não se rebaixarem socialmente.

Se as mulheres dos nobres romanos não recebiam um tratamento digno, o que dizer então das mulheres pobres, as quais uma boa parte se tornava escrava? A vida de um escravo (aqui estamos falando de ambos os sexos) ficava completamente nas mãos do nobre. Ele poderia ser vendido, surrado, abusado sexualmente etc. Mas a situação da escrava era ainda pior que a do escravo tendo em conta alguns costumes dos senhores romanos, como o “direito ao hímen”, que consistia em ter o direito de desvirginar a escrava. Além disso, as escravas, mesmo casadas, deveriam estar sempre disponíveis para atos sexuais com seus senhores, se assim lhes conviessem.

Outra situação desonrosa imposta à mulher na sociedade romana é o concubinato. As concubinas eram todas aquelas mulheres que ficavam sexualmente à disposição do senhor, ou seja, eram escravas sexuais. Segundo Paul Veyne, “Os imperadores, mesmo casados, tinham no palácio um harém de concubinas escravas, e o imperador Cláudio deitava-se com duas ao mesmo tempo.” (VEYNE, p.85)

Ao compararmos a situação da mulher antes e depois do cristianismo é impossível não notar uma grandiosa evolução. O adultério, por exemplo, é considerado pela Santa Igreja uma traição tanto por parte do marido, como por parte da mulher – o que não acontecia no tempo pagão. No casamento cristão, que é estável e indissolúvel, os deveres do marido não são menores que os da esposa – equalizando, dessa forma, as responsabilidades e a dignidade dos esposos.

A proibição do divórcio também deu uma enorme proteção e segurança à mulher, pois, como vimos, os casamentos se diluíam com muita facilidade no mundo antigo. Antagonicamente a esta realidade, o sacramento do matrimônio instituiu de tal modo bases sólidas às uniões conjugais que as mulheres formavam a grande maioria dos convertidos ao cristianismo. E, segundo o historiador Thomas Woods Jr., em seu brilhante livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, esse foi um dos motivos que levaram o cristianismo a ser mal visto pela sociedade romana: uma religião de mulheres! Pois, ser cristã significava estar protegida, segura e amparada para elas.

Além disso, o cristianismo santificou o corpo, como diz São Paulo aos Coríntios, no sexto capítulo de sua carta:

O corpo, porém, não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo (…) Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo algum! Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta se torna um só corpo com ela? Está escrito: Os dois serão uma só carne. Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da fornicação. (BIBLIA SAGRADA, I Coríntios, 6, 13 e 15-18.)

Na Idade Média, ao contrário do que muitos pensam e afirmam, a mulher não era desprezada e submissa. A verdade é que, graças ao catolicismo, as mulheres alcançaram um nível de autonomia nunca imaginado. De acordo com o filósofo Robert Phillips, foi somente graças ao catolicismo que tantas ordens religiosas femininas autogovernavam – o que jamais existiu em tempos antigos:

As mulheres encontraram proteção nos ensinamentos da Igreja, e foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, algo inusitado em qualquer cultura do mundo antigo (…). Basta repassar o catálogo dos santos, repleto de mulheres. Em que lugar do mundo, a não ser no catolicismo, as mulheres podiam dirigir as suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos? (Robert Philips, Last Things First, Roman Catholic Books).

Segundo a historiadora Régine Pernoud, a primeira e mais completa historiadora, Ana Commena, filha do Imperador Aleixo, uma princesa bizantina, foi quem primeiro contou sobre a Primeira Cruzada (1095-1099). Um movimento, que de acordo com o que Ana Commena descreve, aconteceu pelo desejo de homens e mulheres em venerar o Santo Sepulcro e a Terra Santa. Tratava-se da nação dos celtas, uma multidão de pessoas simples e desarmadas, que acompanhavam os soldados em direção à Jerusalém.

Ana Commena, como afirma Pernoud, tinha apenas 13 anos de idade quando viu essa onda de população chegar ao Estreito de Bósforo e somente 40 anos depois escreve sobre esse acontecimento. Ana Commena narra, desde as primeiras linhas, a presença (muitas vezes primordial) de mulheres “não observadas” por muitos historiadores modernos.

Pernoud afirma ainda que as mulheres e as crianças acompanhavam os homens nas peregrinações, comuns nos primeiros séculos (d.C.). A Santa Viagem de Jerusalém tem referências marcadas por uma figura feminina, Santa Helena, mãe do Imperador Constantino (272-337), no século IV.

Já no século V, a Igreja vivia o seu primeiro século de liberdade plena, em que, segundo Pernoud, “as iniciativas não faltam, principalmente da parte das mulheres” e o evangelho as via “como iguais dos homens” (PERNOUD, p. 38).

No primeiro milênio, mais precisamente em 1.095, Pernoud relata que muitas mulheres participaram da Cruzada: “dessa vez é uma peregrinação armada que se põe em marcha, com um objetivo preciso: libertar Jerusalém. […] Como na maioria das peregrinações, a dama parte ao mesmo tempo em que seu cavaleiro” (PERNOUD, p. 38). Historiadores ocidentais narram, de acordo com Pernoud, a presença de mulheres na primeira batalha contra os turcos, em 1.097, onde prestam auxílios aos combatentes.

Estabelecidos em Jerusalém, efetivou-se a assimilação do reino, na maioria das vezes, por intermédio das mulheres, ocidentais e orientais. Pernoud cita as rainhas Melisenda e Eleonora de Aragão, “que ilustram (…) a liberdade de iniciativa e a parcela de poder que a Idade Média deixa para as mulheres”. A autora afirma, ainda, que a igualdade/equivalência entre o rei e a rainha também se revelava entre seus súditos, homens e mulheres, como demonstram os documentos jurídicos daquela época.

Coube à Melisenda, rainha do reino de Jerusalém, a honra da Consagração Solene da Basílica do Santo Sepulcro e também a ornamentação da Basílica da Natividade, em Belém.

Conta Pernoud, que entre os muçulmanos, a sina das mulheres escravizadas é simples, isto desde o início da história das Cruzadas: para as jovens, o harém, para as outras, o serviço dos senhores. (…) Entre os francos, o Concílio de Naplusa previa castigos para qualquer um que violasse uma sarracena, mesmo que a última fosse escrava. Pois o contágio com o Islã é sentido, (…) mas, de qualquer maneira, o batismo recebido liberta de imediato qualquer escravo entre os francos. (PERNOUD, 1990, p. 301).

No início do século XIII, uma expedição de senhores parte para retomar Jerusalém, essa expedição acabou sendo excomungada pelo Papa, pois operava-se em proveito de Veneza em detrimento de Bizâncio. Segundo Pernoud, essa é a mais sombria história das Cruzadas, “em grande parte, responsável pela assimilação que se fez delas com as expedições coloniais” (as primeiras Cruzadas).

Apesar das dificuldades de todos os tipos, narra Pernoud, “as peregrinações voltariam a acontecer no século XIV” (PERNOUD, p. 301). Mas, com as hostilidades, dificuldades do percurso e seu alto preço, os homens passaram a viajar sozinhos, sem suas famílias. Sabe-se, no entanto, que ao final do século XV, as mulheres retomaram a rota, entre elas, as místicas Margarida de Lusignan, Brígida da Suécia e Margery Kempe, da Inglaterra.

Pernoud conduz-nos para uma grande verdade: a autonomia da mulher católica. Muitos historiadores, modernos e pós-modernos, omitem parte da história e trabalham para a criação de uma imagem da mulher medieval caricata. Um exemplo disso são os famosos cintos de castidade. Ora, as mulheres e crianças acompanhavam seus cavaleiros e muitas delas também foram cavaleiras, como Santa Joana D’arc, por exemplo! O cinto de castidade, numa circunstancia como essa que acabamos de vislumbrar (Cruzadas), é perfeitamente racional. Se temos em conta que o cinto era usado para proteger a mulher do estupro de possíveis vencedores num contexto de batalhas, é evidente que ele não significava uma forma de submissão ou humilhação das mulheres.  O famigerado cinto era tão somente uma forma de protegê-las do inimigo.

É verdade que durante a Idade Média os pais escolhiam os esposos de suas filhas, porém isto acontecia com os filhos também. Ou seja, não existia discriminação contra a mulher, em particular – aliás, a Igreja sempre lutou contra a imposição de matrimônios.

Exemplos da autonomia feminina abundam durante a Idade Média. Joana D’Arc, ainda jovem, conseguiu uma audiência com o Rei da França Carlos VI e realizou grandes feitos históricos em defesa da França cristã contra a Inglaterra. Entre os primeiros santos, encontram-se as mártires Inês, Cecília, Águeda, Luzia etc. Outras mulheres, como a abadessa Heloísa, do Mosteiro do Paráclito, conheciam e ensinavam grego e hebraico às monjas. A mais famosa enciclopédia do século XII, cujo título é “Jardim das Delícias” e continha os ensinamentos mais coerentes sobre avanços técnicos da época, tem como autora a abadessa Herrade de Landsberg. O mesmo se aplica para as Obras de Santa Hildegardes de Bingen, uma monja beneditina, teóloga, compositora, pregadora, médica informal, escritora e mestra do Mosteiro de Rupertsberg, na Alemanha, proclamada pelo Papa Bento XVI, em 2012, Doutora da Igreja Universal.

Mesmo as mulheres que não eram nobres, mas sim camponesas, ou artistas, desempenhavam grande influência na sociedade. Em arquivos medievais leem-se vários casos de mulheres casadas que agiam por conta própria; que abriam, por exemplo, recintos comerciais sem solicitar autorização do esposo. Registros franceses do século XIII relatam mulheres médicas, professoras, boticárias, copistas, miniaturistas etc.

A Igreja incentivou o respeito e fez com que as mulheres adquirissem direitos. As viúvas, por exemplo, eram protegidas. Quando um homem raptava uma jovem, ficava impedido de se casar com ela e era punido por isso. Em alguns lugares eram excomungados os juízes que cometiam injustiças contra as mulheres. O triunfo de mosteiros femininos nos mostra o quanto a pureza feminina era respeitada e admirada.

Sobretudo, não podemos esquecer que a Idade Média foi a época do Amor Cortês – a máxima sofisticação do relacionamento entre homem e mulher. Através da Igreja Católica a mulher deixou de ser objeto e passou a ser venerada e respeitada. Maria Santíssima com certeza intercedeu por esta missão de dignificação da mulher.

Com a Igreja a mulher experimenta uma condição de dignificação e exaltação jamais vista. Como sabemos, o cristianismo equalizou todas as diferenças. Em Gálatas, cap. 3, 28, está escrito: “não pode haver judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Jesus Cristo”. A mulher passa, assim, a ser respeitada como indivíduo único, dotado de uma alma imortal, valiosa perante Deus.

Por fim, não há dúvidas que a proibição do aborto, do infanticídio, do incesto, do adultério e do divórcio, garante a harmonia, a segurança e a unidade da família. A Igreja não é, e jamais foi, uma instituição opressora da mulher, como pregam as feministas atualmente. Afirmar isso é provar o desconhecimento mais elementar da história. Propagar a calúnia de que a Igreja perpetua a dominação do patriarcado contra as mulheres é, na melhor das hipóteses, sintoma de ignorância; na pior, mau-caratismo.

Bibliografia:

AQUINO, Felipe. Uma História que Não é Contada. São Paulo: Ed. Canção Nova, 2008.

ARIÈS, Philippe e DUBY, Georges. História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. São Paulo: Cia das Letras, 2009.

BÍBLIA SACRADA. São Paulo: Ed. Mundo Cristão, 2003.

PERNOUD, Régine. A mulher nos tempos das Cruzadas. Tradução Marina Appenzeller. Campinas: Papirus, 1990.

STARK, Rodney. O crescimento do cristianismo: um sociólogo reconsidera a história. São Paulo: Paulinas, 2006.

WOODS JR., Thomas. Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental. São Paulo: Ed. Quadrante, 2008.

Liana Netto

Daiana Lima

Suelem Carvalho

Phamela da Silva Santos

Cleusa Maria Dal Piccolo Iamasaki

Artigos on-lines:

https://padrepauloricardo.org/blog/as-perolas-jogadas-aos-porcos

http://www.pliniocorreadeoliveira.info/BIO_1936_Pre_Universit%C3%A1rio_04.htm

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