Amor e Sexo

Outro dia eu estava indo pra fazenda com meu pai e o som estava ligado em uma rádio qualquer, quando começou a tocar “Amor e Sexo” da Rita Lee; a letra me chamou atenção e ficou martelando na minha cabeça por dias, junto com algumas coisas que eu tinha lido sobre amizade, namoro e afins.

É engraçado como na música a idéia de sexo é completamente dissociada do amor, às vezes os dois são tratados até como coisas opostas e o pior: é essa a mentalidade da maioria das pessoas hoje em dia. Empurraram-nos goela abaixo uma visão completamente distorcida do sexo (me surpreendi comigo mesma ao ver que, inconscientemente, partilhava dessa visão), e depois nós mesmos somos acusados de tratar o sexo como algo sujo, por fazer desse assunto um tabu.

Essa dissociação do sexo ao amor é fácil de ser compreendida  quando paramos para refletir e vemos o quanto a nossa própria unidade está comprometida: não somos mais apenas um, mas desenvolvemos uma habilidade incrível de sermos um em cada lugar … Indo um pouquinho mais longe, separamos o nosso exterior do nosso interior, numa tentativa frustrada de nos convencer que o que mostra o nosso exterior não reflete o nosso interior.

Numa busca desenfreada por satisfazer nossas vontades, aprendemos a separar coisas inseparáveis.

Voltando ao assunto mais diretamente, a letra da música explica perfeitamente o que o Amor é quando o associa a um livro, relacionando o amor a razão e não ao sentimento, além do fato de que um livro só faz sentido se for lido, conhecido – é preciso conhecer para amar – dedicar tempo e esforçar-se.

Por outro lado, relaciona o sexo ao esporte: físico; e um pouquinho mais pra frente, ela reafirma a idéia dizendo que “amor é divino e sexo é animal”, desprezando a razão e exaltando nosso lado instintivo.

Conversando com uma amiga, ela me disse que a música fala da realidade “nua e crua” mas que na visão dela, por mais sem compromisso que seja  é impossível não ter algum envolvimento e que é muito claro que há em nós uma lei natural que fala muito alto que sexo não é uma coisa qualquer e tem sim uma série de exigências por trás; ouvi ainda que é muito fácil de transformar o sexo em algo baixo e sujo.  Como dizem por ai, só ouvi verdades, rs.

O sexo é algo bom e belo em si e foi criado por Deus para ser desfrutado em um contexto certo, com um propósito certo. Infelizmente, somos bombardeados por todos os lados com essa sexualidade baixa e tudo isso vai se acumulando em nós, até transformar, inconscientemente, nossa visão também.  Basta que fiquemos por cinco minutos na frente da TV e comprovaremos esse fato, deram um jeito de colocar cenas sexualizadas (seja por olhares, beijos, nudez ou até cenas com o próprio ato em si) em tudo.

As conseqüências desse ataque são terríveis: ainda nesses dias que eu refletia sobre a letra, li um texto que falava sobre como toda essa revolução sexual destruiu as amizades. No texto falava que “É difícil para as pessoas cultivarem amizades quando imagens de pessoas nuas pululam em seus cérebros com toda a fixação de um viciado em crack.e, sendo um pouco mais abrangente, não só as imagens dificultam esse processo, mas o fato de abolir a existência da amizade que, quando existe,  passa a ser apenas um estágio para um namoro, ou algo do gênero, e para exemplificar, o autor cita Friends, série em que praticamente todos os personagens já foram para a cama uns com os outros.

Ainda nesses dias pensando sobre o assunto, outra amiga me perguntou o que eu pensava a respeito de casais de namorados que, ao terminar, se tornam amigos. Como seria possível transformar o amor? Ou como seria possível ter mais de um amor, assim como os viúvos que se casam novamente?

Pensando sobre isso, vi o quanto, na maioria das vezes, nossos relacionamentos são em busca de uma auto satisfação. Às vezes, quando perguntamos pra alguém o motivo de gostar de certa pessoa, normalmente a resposta é “Ah, a amizade dele me faz super bem!” . Esquecemos-nos que fomos feitos para o outro, em qualquer dimensão de relacionamento:  “sexo vem dos outros e vai embora, amor vem de nós e demora”. De fato, o amor vem de nós para os outros, não devemos buscar ser amados, mas amar, porque Deus nos amou primeiro e, ao contrário do que a música fala, levar isso para todas as outras coisas, seja no sexo, no trabalho, nas nossas amizades, ou em qualquer outro aspecto.

Tendo este fato sempre em mente é um pouco mais fácil compreender também que o amor é desejar o bem incondicional ao outro e isso inclui aceitar que o caminho de alguém pode não ser ao nosso lado. Tudo por aqui são meios para nos aproximarmos de Deus, fonte da felicidade plena. Se nós não somos os meios mais eficazes para levar as pessoas a essa fonte de felicidade e a amamos de fato, qual então seria o motivo para querê-las ao nosso lado ou não nos alegrarmos imensamente por alguém ter encontrado o seu lugar nesse mundo? Acredito que essa seja a realidade de ex namorados amigos: por tanto amar e desejar o bem e a felicidade incondicionais liberta, encontrando na felicidade do outro a sua própria felicidade. O amor não se transforma, continua o mesmo, porém numa versão provada, maior e ainda mais pura.

A meu ver, o mesmo acontece com viúvos que se casam novamente. Com uma visão clara  e “desromantizada” do que é o amor é difícil encontrar uma boa razão para que haja empecilhos em amar de novo. O antigo cônjuge agora vive em plenitude e aquele que ficou segue na busca pelo eterno sendo reflexo de Deus na vida de um novo alguém e deixando que alguém lhe seja reflexo de Deus também, nesse lindo exercício de doação que é o matrimônio.

Retomando a separação de coisas inseparáveis, há algumas semanas participei de uma aula em que o professor falava sobre o quanto nós mesmos dificultamos que nos amem integralmente, não só como um corpo material (ou parte dele), mas como um todo! O modo de vestir ou, para as meninas, de se maquiar às vezes não ajuda nem um pouco esses nossos sentidos já tão deseducados. Quando realçamos, talvez até propositalmente, aquilo que gostamos mais em nós, chamamos atenção para uma parte apenas e não para o que somos de fato: não somos só um corpo, nem só o que pensamos; somos um conjunto de matéria e espírito, com qualidades e defeitos e devemos ser amados por completo, assim como amarmos o outro em sua totalidade também.

Examinemos o amor em nossas vidas: será que amamos de fato ou buscamos apenas os bons sentimentos que o gostar nos trás, deixando de lado os compromissos que o Amor exige de nós? Será que permitimos que nos amem de verdade?

Que reaprendamos a unir aquilo que nunca deveria ter se separado!

Com carinho,

Maria Tereza

 

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3 comentários sobre “Amor e Sexo

  1. Interessante é que Rita é casada há mais de 40 anos. Parecem ser parceiros e felizes. Talvez, sem saber, eles transformaram a dicotomia apontada na canção (acho que a letra é dela é a melodia é do Roberto) em uma amálgama. Também não concordo com essa dicotomia. Provavelmente ela também não. Tendo a crer que ela se confunda ao falar da experiência própria de viver um amor maduro que já deixou para trás várias fases, principalmente o início normalmente marcado pela paixão inebriante, que é mesmo muito física… Enfim…Acho que ela quis ouvir exaltar o amor. E exagerou.

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  2. Sabe, isso fez-me lembrar de um livreto de dinâmicas da PJ no qual tratava exclusivamente da sexualidade e entre trechos bíblicos e trechos de autores malucos havia essa música para ser colocada no momento do encontro dos jovens católicos… Fiquei horrorizada.

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