Liberdade

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   Procurando sobre temas para escrever, uma amiga muito sábia me sugeriu que eu falasse sobre a liberdade: “Querida, você já escreveu sobre a liberdade? Liberdade de que? E para que?” … precisei de me colocar a pensar sobre o assunto.
Seria a liberdade a ausência de regras e limites? O exercício soberano das nossas vontades? Se não houvesse nenhum fator limitador (não tivéssemos nenhum compromisso, não devêssemos satisfação a ninguém e tivéssemos todo o dinheiro possível) seriamos plenamente livres? Mas e as conseqüências das nossas escolhas? Elas limitam a nossa liberdade?

A liberdade humana possui várias dimensões. A liberdade de coação é a que goza a pessoa que pode realizar externamente o que decidiu fazer, sem imposição ou impedimentos de agentes externos; assim se fala de liberdade de expressão, de liberdade de reunião, etc. A liberdade de escolha ou liberdade psicológica significa a ausência de necessidade interna para escolher uma coisa ou outra; não se refere já à possibilidade de fazer, mas à de decidir autonomamente, sem estar sujeito a um determinismo interior. No sentido moral, a liberdade refere-se em mudança à capacidade de afirmar e amar o bem, que é o objeto da vontade livre, sem estar escravizado pelas paixões desordenadas e pelo pecado.

Refletindo sobre isso, fica evidente que o conceito de liberdade da maioria das pessoas é um tanto quanto medíocre. A liberdade é muito mais do que fazer o que quisermos, quando quisermos e como quisermos, isso seria mera escravidão dos nossos gostos e fraquezas, já que muitas vezes não temos uma vontade forte o suficiente para fazer aquilo que de fato queremos, basta observarmos quantos bons propósitos deixamos para trás ao longo do tempo.

Sendo assim, concluímos que a liberdade do homem consiste em atuar segundo uma escolha consciente e livre, isto é, movido e induzido pessoalmente a partir de si mesmo e não sob a pressão de um cego impulso interior ou da mera coação externa. O homem atinge esta dignidade quando, libertando-se totalmente da escravidão das paixões, tende ao seu fim com a livre escolha do bem e se tenta meios adequados para isso com eficácia e esforço crescentes.

   Ou seja, ser realmente livre é ter o direito de fazer aquilo que devemos, de acordo com aquilo que essencialmente somos: filhos de Deus.

Quem não escolhe – com plena liberdade! – uma norma reta de conduta, cedo ou tarde se verá manipulado pelos outros, viverá na indolência – como um parasita -, sujeito ao que os outros determinem. Prestar-se-á a ser agitado por qualquer vento, e outros resolverão sempre por ele. São nuvens sem água, que os ventos levam de uma parte para outra, árvores outonais, sem fruto, duas vezes mortas, sem raízes, ainda que se escondam por trás de um contínuo palavrório, de paliativos com que tentam esfumar a ausência de caráter, de valentia e de honradez.
Mas ninguém me coage!, repetem obstinadamente. Ninguém? Todos coagem essa liberdade ilusória que não se arrisca a aceitar responsavelmente as conseqüências das atuações livres e pessoais. Onde não há amor de Deus, produz-se um vazio de exercício individual e responsável da liberdade: apesar das aparências, tudo aí é coação. O indeciso, o irresoluto, é como uma matéria plástica à mercê das circunstâncias; qualquer um o molda a seu bel-prazer e, antes de mais nada, as paixões e as piores tendências da natureza ferida pelo pecado.

No fim das contas, esses tantos que clamam pela “liberdade”, tratando-a como um ídolo, com fim em si mesma, acabam tragicamente escravizados pelas conseqüências das suas más escolhas.

A liberdade da coação exterior, da necessidade interior e das paixões desordenadas, resumindo, a liberdade humana plena possui um grande valor porque somente ela torna possível o amor (a livre afirmação) do bem por ser bem, e, portanto, o amor a Deus enquanto sumo bem, ato com o qual o homem imita o Amor divino e atinge o fim para o qual foi criado.

Eis a razão de termos sido criados com o livre arbítrio: Deus nos criou para amá-Lo e o amor só é possível quando a nossa vontade escolhe, livremente, o Bem.
Liberdade, amor e felicidade: os maiores desejos do coração do homem não são objetos de conquista mas conseqüência de escolhas feitas segundo a liberdade dos filhos de Deus.

Textos base:

A Liberdade e a Lei da Consciência

Amigos de Deus – Cap. 2

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