Porque o sofrimento nos faz como Ele

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Estamos no quarto dia da Quaresma e como todos os anos, durante esse período, somos pressionados por todos os lados, questionados por todo tipo de pessoa, zombados por aqueles cuja fé está longe ou totalmente desalinhada com a verdade de Cristo. Tudo por causa das práticas que adotamos nesse tempo e que a maioria de nós (pelo menos assim espero eu) se esforça para, com zelo, cumprir por amor a Deus.

Falo especialmente das práticas sacrificiais que tomam espaço nesse tempo. Àqueles que não podem entender, e nem se preocupam em tentar, as práticas de sacrifício que os Católicos adotam de forma especial nesse período soam como expressões de fanatismo ou mesmo hipocrisia já que, acusam eles, tais pessoas praticam maldades nas suas mais variadas formas e esperam que uma prática de abstinência as redima ou mesmo as faça santas, apesar da vida que levam.

Às vezes nem nós mesmas sabemos responder da forma devida, porque muitas vezes nem nós mesmas temos claro em nossa mente qual o sentido dessas práticas para os cristãos. Isso quando nós mesmas não passamos a questionar a necessidade dessas práticas e começamos a duvidar da nossa fé, achando que essas coisas se tratam de besteiras.

A primeira notícia é que, sim, o sacrifício nos leva a sermos mais santos, quando praticado com consciência e intenção. Consciência de que as práticas sacrificiais são formas de educar as nossas próprias paixões, dominar os apetites da nossa carne, nos levar de escravos a senhores de nós mesmos. E intenção de fazer dos nossos sacrifícios expressões de amor a Deus, no ato de quem diz ao seu Senhor ”Deus, eu te amo tanto que eu sofreria por Ti”.

Todas as grandes tradições de sabedoria da humanidade têm alguma coisa a falar sobre a necessidade do homem de se educar a si mesmo e as suas paixões. No Cristianismo isso toma um lugar ainda mais elevado, porque é onde encontramos um convite ao desprendimento de nós mesmos para nos prendermos e dependermos unicamente de Deus.

Ora, qual a melhor maneira de se educar a si mesmo senão limitando-nos a atender às necessidades do nosso corpo e não os seus desejos desordenados? Em poucos minutos de introspecção, olhando para nós mesmos, nós podemos enxergar o bestial de paixões desordenadas que existe em nós, e que precisa, portanto, ser apaziguado, diminuído, calado. Os sacrifícios corporais respondem com violência ao que com violência se volta contra nós. Por isso os pequenos sacrifícios que costumamos praticar nesse período: o jejum, a abstinência, o silício, a privação (que podem e devem ser praticados em todas as épocas do ano, mas com especial atenção durante o tempo da Quaresma) é um meio forte de nos educar nas nossas paixões, para melhor e mais despojadamente olharmos para Deus, servi-lo e amá-lo com sinceridade.

Além do caráter educativo que o sacrifício produz em nós, ele nos ajuda a amar a Deus mais perfeitamente. A palavra de Deus diz que não existe prova maior de amor do que dar a própria vida por aqueles a quem se ama.  E o que é dar a vida senão um ato máximo de renúncia de si mesmo? Cristo realizou esse ato máximo de renúncia de si ao padecer de morte vergonhosa em uma cruz… por nós.

Nós, numa escala infinitamente menor, renunciamos a nós mesmos por amor a Ele quando realizamos nossos pequenos atos de sacrifício. Amar o Senhor, queridas, diz a própria palavra de Deus, está muito mais relacionado com atos do que com palavras. Podemos amar a Deus de forma poderosa, então, quando renunciamos a nós mesmos em nossos atos. É quando dizemos não à vontade de comer algo que agrada ao nosso paladar e dizemos ”Senhor, eu abro mão desse pequeno prazer por amor a ti”, é quando nos privamos de uns minutos a mais na cama após acordar e mesmo hesitantes elevamos o nosso coração a Deus e dizemos ” é por amor a ti, Deus, que eu renuncio a mim mesmo nessa vontade de ficar na minha cama quente por mais alguns minutos”, é quando somos perseguidos e injustiçados e mesmo com a alma machucada e o rosto cheio de lágrimas somos capazes de dizer a Deus com sinceridade ”Deus, é por ti que eu sofro e é olhando para a tua cruz que eu aceito padecer, porque eu te amo”.

Santa Teresinha diz a sua irmã, Leónia, em uma de suas cartas que uma das grandes provas de ternura que Deus nos dá é nos permitir sofrer por amor a Ele, porque ”o sofrimento nos faz como Ele”, diz ela.

Encorajo a você nessa Quaresma a olhar para tudo isso e ver que o sacrifício produz em nós um peso de glória, junto com excelentes frutos, doces e agradáveis ao paladar de Deus. O sacrifício vai nos purificando e nos dando um coração cada vez mais semelhante ao de Cristo. Pensa nEle e oferece, hoje mesmo, um renúncia por amor a Ele.

Este tempo é propício para a prática porque é quando recordamos os sofrimentos do próprio Deus, retirado por quarenta dias no deserto, sendo tentado pelo Demônio, retornando depois a Jerusalém para sofrer ainda mais, sendo morto e hasteado em uma cruz, morrendo de forma vergonhosa para que o castigo de Deus Pai não pesasse sobre nós.

Considera os sofrimentos de Nosso Cristo, e pensa no quanto ainda tens de mudar-te e emendar-te para  se tornar um pouco mais parecida com Ele, e tenta.

 

 

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