Das minhas mãos inseguras para as mãos seguras de Deus – uma conversa sobre entregas

 

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No último ano estive em um relacionamento amoroso que durou pouco tempo, mas tempo suficiente para me machucar profundamente. Foi  um desses relacionamentos que nos coloca em risco espiritual, que não nos leva para mais perto de Deus, antes, nos empurra como uma bola pesada descendo morro abaixo  -e sem controle-  na direção contrária a Deus e aos seus ensinamentos. Eu puxava para um lado, ele puxava para o outro, e nosso relacionamento era um cabo de guerra, longe de ser aquilo que é ordenado para ser: duas pessoas que se amam olhando juntas para Deus.

Ainda assim, insisti durante alguns meses em levar aquilo pra frente, porque eu queria AQUELE namoro, AQUELE rapaz, e para mim só servia se fosse assim, do MEU jeito. Tudo à minha volta e dentro de mim gritava dizendo que aquilo não estava certo, mas eu insisti.

Depois do término, passei muitos meses chorando e lamentando o fim:

‘’E se eu tivesse feito assim?’’

‘’e seu não tivesse falado aquilo?’’

 ‘’e se eu tivesse me esforçado mais?’’

‘’e se…’’

Eram os tipos de questionamentos que ocupavam a minha mente nos meses subsequentes ao término. Como se o problema real fosse qualquer um deles.

A verdade é que o fim daquele relacionamento não era sobre o que eu pensava que era. Nada era sobre aqueles questionamentos, mas tudo era sobre o desejo de Deus de me manter perto dEle, de não deixar eu me perder.

Enquanto ainda estava namorando, houve um ponto  em que a pergunta soou tão clara em meu coração que era impossível continuar ignorando ‘’Você ama mais a Deus ou o seu namorado? ’’.

As Leis de Deus eram desprezadas e desafiadas por ele o tempo todo, e eu estava ali, entre ele e Deus. A pergunta caiu no meu coração como uma flecha, muito retesada e quase impossível de ser arrancada. Poucos meses depois, então, eu cedi, deixando aquele relacionamento ir embora. Relutante. Como uma criança que faz o que o pai manda, aos prantos, porque não quer fazer.

Meu coração se encheu de uma amargura tão grande no tempo que se seguiu, que inconscientemente eu me ofendi com Deus, me afastei dele para buscar segurança e conforto nas lembranças que eu tinha daquele relacionamento. Eu não havia deixado aquilo ir embora de verdade. E eu passava tempo lambendo as minhas próprias feridas.

Durante todo esse tempo Deus permaneceu ali, caladinho, trabalhando em mim, me ajudando para que eu me tornasse forte o suficiente para entregá-Lo com sinceridade aquele relacionamento. Para que eu abrisse a minha mão que apertava com força aquele afeto que ainda existia, e entregasse -tudo- a Ele.

Ele sabia que eu estava sofrendo, e Ele se compadecia, como se compadeceu da irmã de Lázaro ao ver suas lágrimas de dor. Deus é sensível, queridas.

Muito tempo se passou até eu conseguir, com intenção sincera, entregar a Deus todo o afeto que havia sobrado, todas as lembranças que haviam na minha memória e até mesmo as lembranças físicas (as mensagens trocadas, as fotos, as ligações… que eu ainda mantinha no celular).

O meu ponto aqui, algo a respeito do qual Deus tem trabalhado em mim, e que eu sei que é algo comum entre nós, é a segurança em entregar a Deus aquilo que não deve permanecer conosco.

Costumamos sofrer tanto para deixar ir embora aquelas coisas que não cabem na nossa vida, mas que insistimos em manter lá, porque não queremos passar pelo desconforto de sentir saudade, de chorar um pouquinho, de sentir falta da aparente segurança que aquilo nos traz.

E as vezes a gente, assim como eu fiz, se ofende com Deus por sentir que Ele não está sendo legal em nos pedir algo que nos fará sofrer.

Mas a verdade é que eu nunca estive mais feliz, mais consolada e completa do que quando, com sinceridade, eu rompi com aquele passado e com todas as coisas que atiravam de volta para ele, dizendo a Deus ‘’eu não vou mais manter isso comigo, toma, é seu’’.

Deus só quer a nossa boa vontade e nossa sinceridade de entrega. Ele não vai abrir as nossas mãos à força para tomar o que não queremos entregar.

Se nós confiamos o suficiente para fazer o que é necessário, experimentamos o conforto que nunca encontraríamos em nenhum outro lugar, de nenhuma outra forma.

Eu nunca precisei me preocupar desde que abri mão daquilo de verdade. O Senhor, Ele mesmo, preencheu o vazio que ficou em mim com o conforto mais doce que já experimentei. Ele me consolou, me amou, falou ao meu coração de uma forma poderosa e me fortaleceu para que eu não olhasse mais para trás e para que não sentisse saudade das ‘’cebolas do egito’’.  A sensação era de ‘’por que não fiz isso antes? É tão melhor!’’.

Por isso hoje eu quero encorajar você a abrir as suas mãozinhas que insistem em segurar para você aquilo que Deus está te pedindo, aquilo que você mais teme em entregar pelo medo da dor. O Senhor cuida de nós, querida,  Ele consola o nosso coração, alivia os nossos fardos e nos dá descanso. Ele é o melhor cuidador que poderíamos ter.  Enquanto insistimos em manter para nós aquilo que não deveria mais estar conosco, só encontramos frustração e mais dor. Deixe Deus por remédio nas suas feridas.

Vamos conversar nos comentários? Quero rezar por você!
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4 comentários sobre “Das minhas mãos inseguras para as mãos seguras de Deus – uma conversa sobre entregas

  1. Ainda que é um texto escrito por uma moça católica, posso adaptá-lo para mim. Há 3 meses terminei meu namoro e seguidas vezes sinto saudades da garota.
    Parabéns pelo texto. Muitas coisas nele é o que estou passando.
    “Meu coração se encheu de uma amargura tão grande no tempo que se seguiu, que inconscientemente eu me ofendi com Deus, me afastei dele para buscar segurança e conforto nas lembranças que eu tinha daquele relacionamento. “

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    1. Fico extremamente feliz, Vinícius, que você se sinta compreendido e consiga se encontrar nessas palavras.
      Por ter passado por isso, consigo imaginar o tamanho da sua dor e frustração.

      Encontre-se com Deus na oração e converse com Ele a respeito disso, como um amigo mesmo, que é o que Ele é para nós. Conte a Ele como você está e como seu coração está cheio de dor, amargura, etc.
      O consolo de Deus é sem igual, não é parecido com nada que poderíamos experimentar com as pessoas, mesmo que a gente passe muito tempo numa busca desesperada por consolo nas pessoas.
      Eu encorajo você a entrar mesmo nesse diálogo com Ele, de forma sincera e vulnerável.

      São Paulo fala na carta aos Filipenses que quando apresentamos a Deus a realidade da nossa vida por meio das nossas orações, nós podemos encontrar nele a paz que excede todo o entendimento humano, e é exatamente o que tenho experimentado e encorajo você a fazer.
      Peça a ajuda da Nossa Mãe também, Maria, Ele te levará para pertinho de Cristo e Ele guardará o seu coração.

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      1. Obrigado pelas palavras, Roberta! Essas palavras vieram hoje mesmo em que me sentia angustiado.
        Cada caso é um caso diferente. No meu, posso dizer que cresci em muitos aspectos com esta pessoa. Foram quase 4 anos juntos. Não brigamos e não tenho mágoas dela. Pelo contrário, sempre rezo por ela e pela mãe dela. Enfim, não vou me estender muito, mas já pus nas mãos de Deus.
        Pois, é isto mesmo.. Tudo o que eu falaria para as pessoas, eu devo falar para Cristo em oração.
        Diz na Imitação de Cristo: “Por isso devia o homem firmar-se de tal modo em Deus, que lhe não fosse mais necessário mendigar consolações às criaturas.”

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