Conhecendo as mulheres bíblicas – parte 1: Raquel, Joquebede e Débora

A Bíblia, além do livro inspirado por Deus com ensinos preciosos e fundamentais para nós Cristãos, é também um livro com relatos muito detalhados e ricos sobre os costumes de várias gerações, suas práticas religiosas e até histórias de vida que se estendem por capítulos, ou mesmo por livros inteiros.

Algumas figuras femininas da Bíblia saltam aos olhos quando lemos e nos deparamos com elas: suas características, seus feitos, suas virtudes… Muita coisa é relatada a respeito de boas mulheres, cujo proceder íntegro e reto, fez atrair o favor de Deus sobre elas mesmas, sobre suas famílias e sobre seus povos. Assim como o proceder mau de outras mulheres fez atrair sobre elas e seu povo a desgraça e a vergonha.

A fim de conhecermos um pouco mais a respeito dessas figuras femininas da Bíblia, selecionei algumas delas para essa série, do antigo ao novo testamento. Vamos aprender um pouco sobre o caráter, as virtudes (ou a falta delas) nessas mulheres e conversar um pouco sobre suas histórias de vida e as lições que podemos extrair delas.

Nessa primeira parte vamos conhecer Raquel, esposa de Jacó; Joquebede, mãe de Moisés e Débora, juíza e profetiza de Israel

Raquel (Gênesis 29)

Jaco-Raquel

Pastora de ovelhas, filha de Labão, Raquel é digna das lágrimas de amor de Jacó, que chora ao vê-la pela primeira vez, pastoreando as ovelhas de seu pai (Gn 29,11).

Raquel é descrita como uma mulher bela, formosa (29, 17b) e digna, tão digna que Jacó trabalha 14 anos nas propriedades de seu pai a fim de obter a permissão para casar -se com ela (29,18; 30).

A história, aqui, tem uma peculiaridade: enquanto ainda trabalhava para o pai de Raquel, Jacó é enganado por ele, e ao invés de receber Raquel por esposa ao fim de 7 anos, ele recebe sua irmã, Lia. Eis aqui o motivo dos 14 anos: quando percebera que havia sido enganado, o pai de Raquel lhe propõe trabalhar mais 7 anos para que aí sim receba Raquel, e Jacó concorda. A palavra ainda diz que todos aqueles anos ”lhes pareceram dias, tanto era o amor que sentia por ela” (29, 20). Quando finalmente recebe a mulher a quem verdadeiramente amava, Jacó a ama mais do que qualquer outra (29,30).

Estéril por longos anos, Deus atende as orações de Raquel fazendo-a fecunda (30,22) e Raquel concebe, dando à luz dois meninos: José (José do Egito) e Benjamim, sendo que no parto do segundo filho Raquel morre, deixando Jacó viúvo.

Apesar de as Escrituras não se estenderem muito sobre a pessoa de Raquel, é fácil imaginá-la perfeitamente como uma mulher digna, pura e que sabia portar-se como tal,  a ponto de ser digna de 14 anos de suor de um homem nobre e agradável a Deus, que a amava.

O que é belo é que Jacó era um servo de Deus, dos mais considerados. A ele Deus prometeu que daria infinitas gerações, e o próprio Deus diz a ele que o acompanharia e estaria para sempre à frente de seus caminhos. Penso aqui que um homem que caminha na presença de Deus como Jacó, possuía aquele feeling espiritual para reconhecer na mulher com quem se casaria as virtudes que emanam de Deus, e por isso a sua paixão se acendeu. Raquel era essa mulher.

 

Joquebede (Êxodo 2)

02

Joquebede era uma mulher Levita, que viveu ainda no tempo em que o povo Hebreu era escravo no Egito, e foi a matriarca daquele que iniciaria o processo de libertação do povo de Deus das mãos do Faraó: Moisés.

A época em que Moisés nasceu foi também o tempo em o Faraó havia decretado que todas as crianças que nascessem de mulheres Hebréias, e que fossem do sexo masculino, deveriam ser mortas logo no momento do parto.

Sabendo disso, Joquebede, então, ao dar à luz Moisés o esconde por três meses em sua casa. Logo depois, com o menino crescendo, escondê-lo fica impossível e então ela toma uma decisão difícil, mas sábia. Joquebede solta o menino no rio Nilo, dentro de um cesto de papiro. A filha do Faraó, ao descer para se banhar no rio, encontra Moisés e o adota por filho.

Vendo que a criança era Hebreia, a filha do Faraó manda chamar uma mulher dentre os Hebreus para amamentá-la, e Joquebede é solicitada, a quem é confiada a criação de Moisés até que estivesse em idade tal que pudesse ser adotado pela princesa.

Joquebede emana as virtudes da sabedoria, força e coragem. E aqui nem é preciso explicar muito. Ela foi sábia e estratégica ao permanecer com seu filho, Moisés, consigo até quando pôde. Forte ao pensar em uma alternativa e aceitar aquela que lhe pareceu mais razoável, apesar de arriscada. E corajosa ao colocar em prática o seu plano. Joquebede confiava no Senhor, ela tinha a tranquilidade e a paz em saber que o Senhor cuidaria dela e de seu filho, e Ele cuidou. Cuidou tanto que trouxe Moisés de volta para ela, e mais do que isso: o elegeu para ser o homem que tiraria o seu povo da escravidão no Egito.

Joquebede foi uma grande co-participadora da libertação do povo Hebreu da escravidão, já que foi por meio de seu proceder que Moisés teve a vida poupada e mais tarde serviu a Deus como líder do povo liberto do jugo da escravidão no Egito.

 

Débora (Jz 4)

débora2

Na época em que Israel era governada pelos juízes, após a morte de Josué, surge Débora, a única mulher na história a governar Israel.

Débora era uma juíza que liderava audiências nas montanhas de Efraim e Manassés, sob uma palmeira que trazia o seu nome (Jz 4, 4-5). Esposa de um homem chamado Lapidot, de quem a Bíblia diz nada a respeito, Débora é chamada ”mãe em Israel”. Ela era além de juíza, profetisa.

Deus levanta Débora para libertar os israelitas, que até então sofriam há cerca de 20 anos sob o poder de Jabin, um rei de Canaã. É Débora quem dá as instruções a Barac para investir contra o exército de Jabin a fim de libertar o povo israelita de seu jugo (Jz 4, 6). Após derrotar Jabin,  Débora entoa a Deus um cântico muito belo (Jz 5) em que fica clara a sua precisão e conhecimento sobre a situação de Israel. Débora sabia que o motivo do sofrimento de seu povo era porque haviam se afastado de Deus em troca de outros deuses, e ainda assim ela assume diante de Deus a tarefa de libertar aquele povo.

Se pararmos para pensar, Débora não apenas possuía um trabalho duro pela frente, como também um empecilho quase impossível de ser superado naquela época e lugar: o de ser uma mulher. Ainda assim, ela não só atinge o mais alto posto em Israel, como é a única mulher a atingi-lo, chegando a dar ordens militares a um homem, algo completamente impensável para aquele povo. Débora, no entanto, é respeitada e reconhecida em Israel como autoridade máxima.

Débora traz para nós um modelo de fortaleza e vigor, dura no combate, mas doce e maternal ao mesmo tempo, quando pensa na mãe de Sísera e se compadece ao imaginar a mãe preocupada, esperando o filho que não voltaria do combate (Jz 5, 28).

Por meio de sua fé, coragem e principalmente temor de Deus, Débora mostra o quão poderosa uma mulher pode ser em Deus. Ela ultrapassa todas as possibilidades esperadas para uma mulher daquele lugar e momento.

Num tempo em que aprendemos que conquistar espaço e poder é sinônimo de rebeldia, revolução e afastamento dos princípios de Deus, Débora vem mostrar a nós que é exatamente se submetendo ao que Deus nos ordena que podemos chegar à conquista de espaços antes negados a nós. Em Deus somos verdadeiramente capacitadas e fortalecidas para batalhas inimagináveis.

Fique conosco para os posts seguintes da nossa série sobre mulheres bíblicas. 
Deixe seu comentário abaixo e vamos conversar!

Um forte abraço, Em Cristo por Maria Virgem!

Anúncios

3 comentários sobre “Conhecendo as mulheres bíblicas – parte 1: Raquel, Joquebede e Débora

  1. Ótima escolha para a série, eu amei falarmos sobre as mulheres bíblicas, justamente neste tempo em que tratar do feminino nos remete forçadamente à rebeldia rebeldia, revolução e afastamento dos princípios de Deus (cit.)!!! Estarei acompanhando aqui do outro lado com a expectativa de que muitas moças, jovens, mulheres recebam este ensinamento em seu coração com docilidade de espírito! A Paz de Jesus! Salve Maria Santíssima!!!!!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Oi, Bruna!!

      Que comentário agradável de ser ler. Fico feliz em ver nosso conteúdo sendo recebido em corações dóceis assim.
      Eu absolutamente amo as histórias das mulheres da Bíblia, são tantas que praticamente dá para absorver uma virtude diferente de cada uma!

      Continue com a gente, pois a série está só começando.
      Amém! Que o Senhor faça os corações das nossas moças e mulheres dóceis, como terra fértil, para receber a riqueza que essas histórias trazem para nós.

      Deus possa te abençoar e te manter fiel a Ele, florzinha.
      Um abraço!

      Salve Maria, Virgem Castíssima!!!

      Curtir

Deixe seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s