À espera do Amado

Design sem nome (1)

Faltam 50 dias para o meu namorado chegar, depois de longos meses sem nos vermos. Quando faltavam 54 dias, eu pensava no quão rápido o dia estava se aproximando, e comecei a escrever planos para o que fazer, como me tornar melhor e bem preparada para passar um tempo de qualidade com ele, quando ele finalmente chegar. Começamos juntos a novena ao Imaculado Coração de Maria, e eu comecei a escrever uma longa lista de coisas-nas-quais-eu-preciso-melhorar-urgente.

Quando terminei, no entanto, senti um pesar, quando comecei a pensar no quão facilmente eu me esforço para ser melhor para as pessoas, e o quão dificilmente eu me entusiasmo tanto no esforço em ser melhor para Deus.

Não me entenda mal, não há nada de errado em desejar ser melhor para com as pessoas que você ama. Na verdade, no ideal Cristão, as três coisas: ser melhor para com Deus, para com os outros e para consigo mesmo andam juntas e devem ser um objetivo claro e constante nas nossas mentes.

O meu ponto aqui é o fato de que alguém que eu amo, alguém que eu não vejo há muito tempo, está para chegar, e isso me faz saltar  do meu lugar e me preparar para recebê-lo da melhor forma possível.

E o questionamento duro e incisivo:

”Cristo também está para chegar, a diferença é que você não sabe quando. Você está se preparando para Ele também?”

Frequentemente tomamos por algo garantido a nossa salvação, porque afinal de contas somos ”boas moças cristãs” e o tripé ”melhor para Deus, melhor para os outros, melhor para mim mesma” fica manco de uma de suas pernas, a mais importante por sinal. A nossa consciência deveria ser tal que todo o nosso progresso em ser melhor para os outros e para nós mesmas fosse entendido como fruto do progresso em sermos melhores para Deus.

Peter Kreeft, em um de seus livros dedicado a trazer o Senhor para nossa vida diária, fala do relacionamento eu-e-Deus e do relacionamento eu-e-os-outros, e escreve que ambos são duas hastes de uma mesma cruz, mas que o primeiro é o motivo pelo qual Cristo morreu, e seu lugar de importância está acima de qualquer outro:

”Por que ‘Deus e eu’? Porque isso é autenticamente cristão. Cristo focou antes de tudo no relacionamento ‘Deus e eu’. Ele morreu para restaurar isso.” (1) (tradução livre)

Thomas Merton, um monge trapista do século XX, foi ainda mais profundo, e citado pelo próprio Kreeft resume em uma frase o lugar de importância do nosso relacionamento com Deus e como isso pacifica e ordena todos os outros relacionamentos:

”Nós não estamos em paz com os outros porque não estamos em paz com nós mesmos, e não estamos em paz com nós mesmos porque não estamos em paz com Deus.” (1) (tradução livre)

Parece mais fácil agora dizer porque é que se esforçar por nós mesmas para sermos melhores para as pessoas que amamos é um esforço vão, se antes não nos esforçamos até à exaustão para progredir em quem somos para Deus, com a ajuda dele.

Nossas orações diárias não podem mais ficar abandonadas ao tempo que sobra, o estado de graça não pode mais ser adiado para quando estivermos ”a fim” de ir nos confessar, nosso relacionamento diário, pessoal e íntimo com Cristo não pode mais ser um projeto para o futuro, para quando estivermos em circunstâncias melhores. Se tudo isso continua a acontecer, e sempre o que temos são desculpas e pretextos, nós não progrediremos em nenhum outro tipo de relacionamento, e pior, correremos um sério risco de nos afastarmos de Deus e descermos sem freio a ladeira da danação eterna. Diante de Deus não haverá desculpas.

Quero que pense como você se veria nesse exato momento se soubesse que Cristo está para chegar, e que Ele conhece cada canto de você, até os mais sombrios e secretos. Você tem se esforçado com o mesmo esforço que investe para se adequar ao seu namoro, ao seu emprego, aos seus amigos, à sua imagem ou qualquer outra coisa, para se adequar a Ele?

Te encorajo a identificar em sua vida as áreas em que Cristo não tem tido o menor espaço em primeiro lugar, e a não fazer disso sentenças de condenação, mas fazer dessa(s) área(s) um ponto de partida do qual você vai começar a se adequar a Deus, antes de se adequar a si mesma e aos outros.

Cristo também está para chegar!

(1) KREEFT, Peter. The angel and the ants. 1994. pag. 12; 16.

 

 

 

 

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