Criando raízes em Cristo e não em nossas frustrações

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Um dia eu estava aprendendo a transplantar uma plantinha que eu tinha em casa, de um vaso pequeno para um vaso maior e mais favorável para o seu crescimento. Meu namorado é horticultor e estava me ensinando qual o vaso ideal e qual o substrato adequado para as raízes daquele tipo de planta, para que ela se fixasse bem e pudesse se desenvolver saudável, caso contrário, poderia morrer. Eu não fiz o que ele me ensinou, e em poucos dias a plantinha morreu.

Nesse fim de ano, quando comecei a pensar em como vivi o ano que passou, eu me lembrei desse episódio, e de como as nossas vidas se parecem com ele.

Existe em nós um apelo constante e urgente a nos desapegarmos da necessidade de estar em NOSSAS circunstâncias favoráveis para que tenhamos contentamento, para que estejamos bem-dispostas, alegres e gratas. O Senhor nos chama a criar raízes nele, a depender do que ELE É e do que Ele oferece, e não do que NÓS SOMOS em nossa própria força, e nem do que podemos prover a nós mesmas por nossos próprios meios.

O Senhor é o vaso grande e o substrato adequado para as nossas raízes, para que nos desenvolvamos saudáveis e seguras, enquanto nós mesmas somos o vaso pequeno e a terra fraca que provê de forma muito pobre os nutrientes necessários.

Como eu fiz com aquela planta, nós constantemente nos negamos a transplantar as nossas raízes do vaso pequeno de nós mesmas, que é o nosso mundinho particular e solitário, que são os nossos planos egoístas nos quais investimos toda a nossa energia, que é a esperança em nós mesmas e no que somos capazes de fazer contando com a nossa própria força.

O nosso relacionamento com Cristo é de uma natureza completamente diferente da natureza dos nossos relacionamentos ordinários. É um relacionamento que exige total e incondicional dependência e confiança apenas no que uma das partes é capaz de fazer, porque somente uma das partes é Soberana e Onipotente.

Nós fixamos as nossas raízes naquilo que nós somos e no que somos capazes de fazer, e por isso o nosso contentamento passa a depender de nós, e não de Deus. O substrato frágil das circunstâncias segura as nossas raízes, e não o substrato firme e seguro que o Senhor é. Se as nossas expectativas são frustradas, nós também ficamos frustradas e a nossa planta se desenvolve sobre uma terra completamente desfavorável e incompatível com suas necessidades.

O que aconteceu com a minha plantinha da história? Ela morreu. Mas não morreu sem antes recorrer aos seus próprios mecanismos para tentar sobreviver naquele meio desfavorável. E morreu mesmo assim.

Eu quero encorajar você a ser vulnerável com Deus, e transplantar as suas raízes do seu próprio eu, do seu egoísmo, das suas próprias vontades, dos seus caprichos, dos seus planos autossuficientes que deixam o Senhor de fora.

Eu vim para que tenham vida, e vida em abundância (Jo 10, 10)
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Cristo não prometeu apenas que nos daria vida, Ele disse que Ele mesmo É a vida, e vida em abundância.

O momento em que nos percebemos frustradas e vemos o nosso contentamento depender de nossas frustrações e nossas circunstâncias, é ótimo para lembrar-se da dependência única para a qual fomos criadas: a dependência do Senhor e de suas promessas para nós, sendo que todas elas são promessas de vida, e não de morte; de esperança, e não de desespero:

”Bem conheço os desígnios que tenho acerca de vós -oráculo do Senhor- desígnios de prosperidade e não de calamidade, de vos garantir um futuro e uma esperança.”

(Jer 29, 11)

As raízes do nosso ser, as projeções que o nosso interior lança pra fora à procura de algo a que se agarrar, são de matéria tal que não se fixa com profundidade em nada que não Seja Deus.

Enquanto insistirmos em nos bastar a nós mesmas, com nosso solo pobre, as nossas frustrações serão a única coisa que teremos para nos agarrar e, ah, pobre de nós quando as nossas frustrações forem tudo o que temos.

O exercício do abandono de nossas seguranças é duro, árduo e cheio lágrimas, mas é algo que deveríamos nos forçar a praticar, todos os dias, até que se tornasse para nós, impossível e insuportável confiar demais em nós mesmas, de modo que lançássemos a todo instante as nossas raízes, os nossos anseios mais profundos, em Deus, o único que pode fixar com segurança a plantinha de nossas vidas.

Quer Ele mesmo transformar essa plantinha frágil em árvore frondosa, saudável e cheia de frutos, e não vê-la morrer sufocada em seu vaso pequeno e apertado.

 

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