Contentamento

 

organic buffet

Nem todos os dias temos as circunstâncias que gostaríamos de ter para fazer o que deveríamos ou para estarmos satisfeitas. Preciso rezar, mas me sinto depressiva e cansada. Devo continuar estudando e trabalhando, mas a preocupação com as contas tiram a minha paz e minha capacidade de me concentrar. Preciso mostrar graça e perdão, mas minha própria vida é um amontoado de desgraças e eu nem sequer perdôo e tenho paciência comigo mesma.

A vida parece uma série de desaventuras e o que precisamos para viver contentes parece nunca chegar até nós de forma completa. Não conseguimos fazer nada além de nos preocuparmos e vivermos descontentes.

Contentamento

De acordo com a origem grega, o contentamento é a característica daquele que está satisfeito, que possui o bastante. Nesse sentido, as circunstâncias não fazem parte do ”bastante” necessário para estar satisfeito.

São Paulo descreve o que isso significa quando diz em Filipenses, no capítulo 4, versos 11 a 13 :

Aprendi a me bastar em qualquer situação. Sei viver na penúria e sei viver na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou passando falta. Tudo posso naquele que me dá força.

São Paulo expressa sua convicção de possuir o bastante, o suficiente, fosse nos momentos de fartura ou de falta, baseando-se em Cristo e no que recebeu dEle. Paulo não diz que possuía o bastante baseado nos seus padrões de suficiente para viver bem, mas no que Cristo considerava como suficiente e concedia a ele em cada um desses momentos.

O Evangelho diz que Deus não se esquece de vestir os lírios do campo, nem se esquece de dar aos pássaros o seu alimento. E menos ainda se esquece de nós, criaturas em nível de dignidade muito superior. Sim, Deus não está nos dando pouco ou menos do que precisamos quando passamos por dificuldades  -seja financeira, espiritual, em nossos relacionamentos, em nossas vida profissional. Deus deseja que aprendamos a viver contentes com o que Ele nos dá no dia de hoje, que aprendamos a perceber que não é a fartura ou a falta de bens ou de qualquer outra coisa que nos faz viver mais ou menos bem e nem as circunstâncias as determinadoras de nosso ânimo. Ele sabe o que é necessário e suficiente. Nós pensamos saber também, mas de acordo com ideias egoístas e pensamentos mundanos e materialistas.

Quando estamos muito unidas a Deus, somos espiritualmente elevadas acima das circunstâncias da terra (embora nosso corpo permaneça nesse mundo), conseguimos olhar para o que consideramos que falta e enxergar a suficiência de Cristo, que quer que vivamos contentes nEle e na suficiência dEle, ainda que percamos tudo nessa terra. A perspectiva de Deus, o lugar de onde olha para nós, está acima, tão acima de nós que nossos olhos físicos não conseguem enxergar, e nossos olhos espirituais estão frequentemente míopes.

O contentamento sincero e genuíno não vai chegar no dia em que os meus projetos se realizarem do jeitinho que eu planejei, no dia em que eu me casar e tiver o marido, os filhos e a casa que sempre sonhei, no dia em que eu receber a promoção que queria e ter o salário que vai me permitir viver confortavelmente, pois no dia em que todas essas coisas chegarem para mim  -e se chegarem-  eu já estarei querendo outras coisas, e permitindo que minha satisfação esteja nelas. O contentamento que Jesus nos oferece, muitas vezes, vai estar na ausência de todas essas coisas, ou na presença delas não tão perfeitas como esperávamos.

O exercício da gratidão é caminho para viver contente

Reconhecer que temos muito pelo qual dizer ”muito obrigada, Jesus”, fará brotar o contentamento em nossos corações à medida em que dissermos todos os dias com sinceridade essas sentenças. Deus se agrada que nos aproximemos dele para dizer que estamos agradecidas e contentes pelo que Ele têm feito, ainda que o que Ele tenha feito não tenha sido o que esperávamos. Na verdade não é difícil dizer:

”Deus, eu sou sinceramente grata por todas as coisas. Sou grata por Quem o Senhor é, por ser Deus, e um Deus tão perto. Sou grata também pelo que o Senhor tem feito por mim e pelas minhas preces. Isso e aquilo não aconteceram da forma que eu esperava ou desejava, mas eu te agradeço por me ensinar com isso que eu não sei tão bem quanto o Senhor o que é melhor para mim. Te agradeço também por isso e aquilo que aconteceram da forma que eu esperava, por me ajudar a educar os meus desejos de acordo com sua vontade”.

Um coração só encontra suficiência ao lidar, diária e intimamente, com o Único que sabe nos ensinar o que isso significa. Oração, conversa ao pé do ouvido, trato de amizade, todos os dias, o tempo todo, com o Deus que conhece de forma profunda a nossa ânsia por algo que seja bastante, suficiente. E conhece também, como ninguém, o caminho para chegar até lá.

Atos de gratidão

A gratidão encontra espaço no despojamento de nós mesmas, no reconhecimento claro e aberto de que alguém -que não nós mesmas- fez muito por nós. Podemos, então, escolher fazer algo como forma de dizer que somos gratas. Não porque Ele precisa, mas porque nós precisamos. Atos nos ajudam a tirar do plano abstrato o que, muitas vezes, repetimos para nós mesmas sem nenhum efeito, sem nos ajudar efetivamente a mudar de vida.

Podemos expressar nossa gratidão por meio de atos realizando trabalhos voluntários, sendo generosas em nossas ofertas para a Igreja, despendendo tempo em cuidar de pessoas que estão sofrendo ao redor de nós, colocando mais empenho e excelência nas nossas tarefas…

”Jesus, essa é uma forma de dizer muito obrigada. Saiba que estou muito grata”.

O Contentamento do Evangelho

Se existe uma certeza entre os Cristãos, é a de que Cristo não morreu por nós para que tivéssemos uma vida fácil e leve de acordo com os padrões que nós mesmas criamos para nós, e que frequentemente envolvem ausência de problemas ou tempos difíceis.

Por outro lado, nos mesmos livros onde Deus revela uma vida difícil e muito dura, Ele revela Bem-Aventuranças e fontes de alegria inefável para aqueles que o Amam. Nós nos esquecemos disso frequentemente, e isso acontece porque é muito mais fácil afirmar verdades duras e nos torturar em nossos pensamentos (devido à nossa humanidade, nosso pecado e o inevitável afastamento de Deus que ele causa, e à voz do mal) do que reafirmar constantemente as verdades sobre uma alegria que não poderá ser roubada de nós. Então eu gostaria de te fazer pensar nisso. Cristo disse que teríamos uma vida dura, mas disse também que nEle encontraríamos descanso e ajuda para carregar nossos fardos.

O contentamento não é um presente que Deus reserva para homens e mulheres com poucos problemas e muitos atributos, mas é uma realidade que foi alcançada nos momentos mais miseráveis e desprovidos da vida de São Paulo. Ele diz de forma clara que aprendeu a se bastar, pois sua suficiência era Jesus.

Anúncios

Deixe seu comentário aqui:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s